Matheus Loures

Externando aquilo que me distrai

A beleza salvará nossos cultos 2 – Simbolismo e Simplicidade

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O Templo era cheio de minuciosidade artística e simbólica...

O Templo era cheio de minuciosidade artística e simbólica…

Simbolismo   

Geralmente, o povo aceita a relação dos símbolos com a idolatria. Como “crente” não é idólatra, logo não mexe com essas coisas de simbologia. Afinal, quem gosta disso são: católicos, esotéricos, ocultistas e satanistas. Ironias a parte, o seu uso é bíblico. Se olharmos para os cultos no antigo testamento, no tabernáculo e no templo, perceberemos que eram recheados deles.

Os símbolos no culto foi ordem direta do próprio Criador, – “E disse Deus” (Ex 25 à 31). Nos cultos do Antigo Testamento eles ajudavam a criar um ambiente estético cheio de significado para a Fé. O próprio projeto do templo/tabernáculo já sinalizava a presença de Deus em meio ao seu povo. Em relação aos materiais usados, quando mais perto do Santo dos Santos, mais precioso eles eram¹. Haviam figuras como querubins, palmeiras e folhas que apontavam para o Éden e o relacionamento com o Criador². Também existiam representações de leões, bois e romãs.  Os “móveis do templo”, igualmente, exerciam função simbólica: O Altar do holocaustos lembrava dos pecados do povo, do  juízo e do perdão de Deus; O altar do incenso evocava a dimensão da oração. Como a lista é enorme, infelizmente não cabe aqui. É importante dizer que a seriedade de tal objetivo era tanta que, para o tabernáculo, o Senhor escolheu um artesão e o encheu com o seu Espírito e de capacidade artística para cumprir esse propósito (Ex 31: 2 à 5).

 Vale apontar que tudo isto não é coisa só do antigo testamento, pois em Apocalipse cap 4, numa cena de adoração “a lá Nárnia”, o culto também se encontra cheio de simbologia.

Mas por que e pra quê se importar com isso? Simplesmente porque símbolos apontam para fora de si. Logo, símbolos da fé apontam para verdades, fatos históricos ou valores de nossa crença que precisam sempre ser lembrados. Símbolos reforçam a identidade comunitária, falam daquilo que nos une. Símbolos nos fazem lembrar do porque estamos naquele lugar. Contudo, é prudente dizer: nunca devemos se esquecer que no próprio AT a religião interior é mais importante do que símbolos ou rituais (Is 66, Os 6). Entretanto, temos a boa opção de escolher “isto e aquilo”*, sabendo que a finalidade de todos esses detalhes, o periférico, é enriquecer nosso relacionamento com Deus, o principal.

Simples e Belo

  Ao passo que tiramos as manifestações estéticas (principalmente das artes plásticas) de nossas igrejas, algumas congregações seguem a tendência da cultura de consumo. Elas gastam muito dinheiro para deixar seu ambiente com o requinte das atuais tendência do design de interiores. Quando penso na “beleza” em meio aos nossos templos não estou pensando em paredes com grafiatto, chão de porcelanato, tetos em andares de gesso ou lustres milionários. Penso na beleza e simplicidade de um lírio do campo elogiado por nosso Senhor, pois “coisas simples falam de quem nos conduz” (Crombie) . Podem ser pequenas flores, singelos jardins, objetos reciclados, quadros, fotos ou qualquer outro detalhe; tudo muito simples, tudo muito belo.

  Expressar o “belo” desse modo é uma oportunidade de ensinar para a sociedade que não é preciso gastar muito dinheiro para que a beleza esteja ao nosso redor, basta explorar o potencial criativo que Ele nos deu. Basta mostrar a conexão da beleza nas artes com nossa fé, apresentando-a como cumprimento de um propósito divino. Basta dar espaço para os artistas em nosso meio.

Antes de terminar este ponto, vale ressaltar que embora defenda a presença de elementos estéticos no culto eu não acredito, de forma alguma, que as pessoas devam vir à nossas igrejas buscando um experiência estético/artística. Para isso temos teatro, shows, circo, museus, arte de rua e etc… A igreja deve ser uma comunidade de adoração à Deus e por isso nossos cultos devem ser guiados pela modalidade da fé. A arte e a beleza, portanto, entram apenas como ornamentos (molduras) para enriquecer o sentido da fé que guia a comunidade.

Conclusão

Portanto, que tal unirmos tudo o que foi falado até aqui. Bora manifestar o “belo” de Deus, de mãos dadas com a simplicidade, em arte simbólica que aponte para as “verdades da fé”. Porque não ir além dos vitrais da via sacra (nada contra ela) e representar o batismo e a santa ceia? Podemos retratar alguns elementos que compõe a ordo salutis (arrependimento, fé, justificação, adoção, santificação, glorificação etc..). Talvez traduzir a Esperança Cristã em imagens? Ou quem sabe reciclar e decorar inspirados na nova criação? Que tal aproveitarmos tudo isso para gerar discipulado quando nos perguntarem sobre o significado de algum símbolo? E então sigamos celebrando ao Deus que é tão maravilhoso e profundo, que na falta de palavras nos faz recorrer a arte para falar D’Ele !!!

* O contrario seria ter de escolher entre “isto ou aquilo”.

¹ Raymond B. Dillard e Tremper Logman III, Introdução ao Antigo Testamento, Ed Vida Nova

² Nota de rodapé de 1 Reis 6:29 da Blíbia de Estudo de Genebra Ed Revista e Ampliada

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